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Devaneio

       Todos ou não sabem que eu gosto muito da história de Anne Frank. É um dos meus livros favoritos. Há outra coisa que vocês devem saber também: Em minha última postagem, citei o fato de estar no hospital com meu avô. Pois bem, a algumas semanas ele morreu.

Peço que, como muitos, não pensem que eu não sofro, choro ou me sinto machucada, apenas porque falo diretamente ou "friamente" sobre isso. Por mais que eu queira fazer um longo texto para vocês, em memória do meu avô, não o farei. Pelo menos, não agora. Porém, quero compartilhar com vocês um trecho do Diário de Anne Frank que mais se encaixa em meu momento atual. Aliás, recomendo muito a leitura desse livro. É muito interessante. Como sabem, agir assim não é do meu costume, mas, é o que farei.

Anne.
 Estou numa confusão absoluta, não sei o que ler, o que escrever,  o que fazer. Só sei que estou sentindo falta de alguma coisa...
(...) Depois durmo com a sensação estranha de que quero ser diferente do que sou, ou de que sou diferente do que quero ser, ou talvez de me comportar diferente do que sou ou do que quero ser.


                                                                                                                            -Anne Frank





Como o vento.

" Então Moisés estendeu a mão sobre o mar; e o Senhor fez retirar o mar por um forte VENTO oriental toda aquela noite, e fez do mar terra seca, e as águas foram dividas."
                                     Exôdo 14.21


    Em um desses últimos dias quando eu estava no hospital com meu avô, eu comecei a sentir tudo abafado e resolvi ir para o lado de fora, respirar um pouco de "ar fresco". Enquanto eu estava no pátio do hospital, soprou uma leve brisa, e senti como se Deus acariciace meu rosto... Nesse mesmo momento, fiquei pensando na importância do vento, e cheguei a conclusão de que eu tinha que ser como o vento, que eu PRECISAVA ser mais vento na minha vida.
  Me lembrei, de quando o povo de Israel estava saindo do Egito e se deparou com um grande mar. E, o Criador na sua imensa plenitude fez soprar um forte vento, livrando e intervindo na natureza, em favor do seu povo amado.
 Quero ser vento também. Quero ser levada por meu Criador, para lá e para cá, de acordo com a sua perfeita vontade..Assim como o vento, que parece ser insignificante aos nossos olhos, mas nas mãos do Pai tem muita utilidade, eu quero ser. Ninguém vê o vento. Ele não tem cor, não tem cheiro. Na minha opinião, o vento é uma - das muitas- obras fantásticas de Deus. E você só percebe que ele está ali, quando é divinamente orquestrado..formando aquela linda canção, com as coisas sendo mudadas de lugar, sendo mudadas e levadas por ele. Em dias quentes, ele traz alívio e frescor. Em dias frios, ele serve para te lembrar que você deve se aquecer.

Ah, o vento! Quero ser assim.
Quero me submeter ao Pai de tal forma, que minha vida na Terra seja como um vento. Invisível. Porém notável. Não quero ser vista, mas sim levar a percepção que sou guiada, orquestrada por alguém lindamente maior. Quero existir somente por Ele, e estar sempre exatamente onde ELE quer que eu esteja. Assim como um vento em dias quentes e exaustivos, que eu traga alívio e frescor para os necessitados, mostrando sempre a verdadeira fonte disso tudo. Que a presença do Amado em mim, provoque mudanças, tirando tudo do lugar, em mim e nos que me cercam. - tudo o que não deveria estar ali. Que assim como o vento espalha o pólen das flores, a minha vida orquestrada gentilmente pelo Grande Maestro, espalhe sementes de amor por onde eu passar.

-Sejamos vento.


No amor de Cristo que nos une,


Mayara Evelyn.

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